Livro “Os elementos de transparência no Jornalismo Guiado por Dados”

Minha tese de doutorado, defendida em 2021 no Programa de Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), virou livro e está disponível no site da Editora Insular. Intitulada Os elementos do Jornalismo Guiado por Dados, a obra é uma versão compacta da tese e apresenta linguagem acessível, direcionada principalmente a estudantes de graduação e pessoas que não apresentam grande familiaridade com o jornalismo de dados.

Foto: Denis Paul

Na tese e no livro, construo e desenvolvo o argumento de que o Jornalismo Guiado por Dados é um conjunto de saberes e práticas aplicado à reportagem e inspirado nas ciências sociais. Tendo o Jornalismo de Precisão como seu principal antecessor, seus alicerces estão baseados na ideia de verdade, objetividade e transparência (em relação à organização jornalística e aos processos metodológicos de apuração).

Uma dos poucas obras sobre Jornalismo Guiado por Dados escritas em língua portuguesa, o livro tem como uma das principais contribuições a listagem de 15 elementos de transparência encontrados em iniciativas brasileiras (veículos de comunicação de referência e nativos digitais) na cobertura da pandemia de Covid-19. Tais elementos estão divididos em duas grandes categorias: organizacional e operacional. Tendo as teorias do jornalismo como fundo teórico, compreendo a transparência como recurso discursivo de legitimação e operadora de uma prática ética.

Em nível organizacional, os elementos de transparência do JGD são: assinatura, perfil e expertise, contato, correção de erros, fontes de financiamento, manual da redação e princípios editoriais, política de diversidade, política de privacidade, e tipo de conteúdo. Em nível operacional, ou seja, quanto ao método, são: data de publicação, documentos, fontes de dados, graus de incerteza, marcas de apuração, metodologia, e reprodutibilidade e código aberto.

Embora seja difícil para uma empresa jornalística cumprir toda ou maior parte desta lista, entendo que a transparência no JGD não possa ser resumida à abertura do passo a passo adotado na coleta de dados. É preciso ir além, mostrando ao leitor quais são as formas de financiamento do jornalismo em uma determinada empresa, assim como suas premissas editoriais e esforços para assegurar a existência de uma redação composta por profissionais de histórico diverso – o que fará completa diferença no oferecimento e execução de pautas.

A qualidade de um veículo se mede pelo leitor que ele busca alcamçar (…). Para acreditar nessa informação, esse leitor quer saber quem são as fontes ouvidas, que conhecimento essas fontes possuem, que bases de dados foram utilizadas, qual é a expertise desse jornalista, de que métodos ele lançou mão para chegar àquelas conclusões, que interesses movem o veículo naquele tema específico, o que ainda falta responder.

Marcia Benetti, 2022 (p. 16), no Prefácio

Tem interesse em adquirir um exemplar? Acesse o site da Editora Insular e peça o seu, ou solicite que a biblioteca da sua universidade compre algumas unidades!

Capa do livro: Editora Insular

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